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3 Diferenciais do Cradle to Cradle para a Inovação VERDE de Produtos

Publicado em 30 . 03 . 2015

*Por Alessandra Caiado
 
CRADLE TO CRADLE - GBC-01-01
 
Reconhecido internacionalmente e adotado por cerca de 2.500 produtos no mundo todo, o programa Cradle to Cradle Certified é hoje a certificação de terceira parte adotado pelo LEED v4. O programa trará para o Brasil uma nova perspectiva de crescimento sustentável, aplicado ao produto, a sua manufatura e cadeia de suprimentos.
O Cradle to Cradle possui 3 grandes diferenciais de certificação: apresenta um programa simplificado, otimiza a composição química do produto e propõe a devolução limpa dos recursos naturais para promoção de um sistema circular saudável e abundante.
O programa de certificação possui 5 temas: Materiais Saudáveis, Materiais Reutilizáveis, Energias Renováveis, Gestão da Água e Responsabilidade Social. Todos esses temas são relevantes e pertinentes à maioria dos produtos e dos processos de manufatura. A adoção deste programa simplificado permite que o fabricante comunique com facilidade os esforços que classificaram seu produto como sustentável e ajuda o consumidor a distinguir e a valorizar o selo. Essa transparência na comunicação dos atributos de sustentabilidade está sendo uma tendência no mundo todo, com iniciativas de exposição de informações relevantes como o Declare (tabela com composição química), o JUST (tabela com indicadores sociais) e a Tabela Ambiental® (dados para mercado brasileiro).
O primeiro tema do programa propõe o desenvolvimento de um produto com ingredientes seguros. Com base em um extenso Banco de Dados que reúne químicos listados em regulamento europeu (REACH) e agência ambiental americana (EPA), consultorias específicas e acreditadas pelo Instituto Cradle to Cradle avaliam a composição química do produto, classificam seus ingredientes e indicam a necessidade de substituições. São cerca de 18 critérios de avaliação, dentre eles: carcinogenicidade, mutagenicidade e toxicidade reprodutiva. O objetivo é fornecer aos designers de produto o conhecimento sobre essas substâncias químicas perigosas e a oportunidade de escolher alternativas saudáveis. Uma grande vantagem para o fabricante é a perpetuidade do produto no mercado, uma vez que antecipa uma melhoria que provavelmente será cobrada no futuro, com a divulgação cada vez maior para o público sobre toxicidade e seus impactos. Embalagens plásticas, alumínio primário, produtos de limpeza, tintas e inúmeros outros produtos já foram certificados, o que indica que é possível sim desenvolver novos materiais para produtos tradicionais.
Este produto com química otimizada, perpetuará de forma segura seus ingredientes, retornando como alimento para um novo produto, seja pela reciclagem (técnica) ou pela biodegradabilidade (biológico). Um dos escritores do livro “Cradle to Cradle”, William Mc Donough afirmou: “A natureza é uma conta bancária que só que faz retirada”. Estamos em um momento em que só se fala em reduzir e economizar, mas ninguém fala sobre devolver, retornar. E aí está uma das principais propostas do programa Cradle to Cradle: realizar o movimento “de berço a berço”. Um dos famosos cases de produto certificado é um tênis que após descartado, pode ser compostado e torna-se nutriente para o solo em apenas 6 meses.
Todas essas ações propostas pelo Programa Cradle to Cradle podem ser facilmente adotadas pelas indústrias no Brasil. A proposta é evolutiva e inicia-se com o auto conhecimento do fabricante em relação ao seu produto e impactos de fabricação para depois, a cada dois anos, evoluir mais alguns passos. Muitas ações relacionadas a água, energia e responsabilidade já são comuns para a maioria dos fabricantes. O maior desafio e também oportunidade será o de conhecer melhor o próprio produto e melhorá-lo para que se torne completamente seguro e possível de se tornar matéria-prima para um novo produto.
 
*Texto escrito pela professora do curso “Materiais: quais informações solicitar e informar para o mercado de Greenbuilding”, Alessandra Caiado, Arquiteta e Urbanista, mestre em Tecnologia da Arquitetura pela FAU-USP e Coordenadora da área de Materiais Sustentáveis no CTE – Centro de Tecnologia de Edificações.

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