As novas versões das certificações GBC Casa e Condomínio trazem atualizações que pretendem acompanhar a evolução do nível técnico das construções e os desenvolvimentos em inteligência de engenharia e arquitetura dos últimos anos.
Com a revisão das categorias analisadas, as certificações tornam mais tangíveis aspectos de boas práticas ESG, alinhando com os principais indexadores considerados atualmente no mercado da sustentabilidade. Abordando temáticas como mitigação dos impactos das mudanças climáticas; medidas de governança; a proteção e restauração da biodiversidade; gestão de resíduos da construção civil; fomentação da economia verde e análises de carbono.
Todas essas temáticas são extremamente pertinentes, especialmente quando consideramos que a Versão 3 dos referenciais avançou também na abordagem dessas e outras medidas durante o período de execução da obra, e não somente nas fases de projeto. Uma grande mudança foi a exigência do desenvolvimento do PGIC, Plano de Gestão dos Impactos da Construção.
O PGIC visa unificar medidas que eram consideradas em outros planos ambientais como o Plano de Controle de Erosão e Sedimentação (PCES) e o Plano de Controle da Qualidade do Ar Interno (PCQAI).
Os planos ambientais como o PGIC e o PGRCC (Plano de Gerenciamento de Resíduos da Construção Civil) são documentos norteadores desse processo e suas reestruturações, através do referencial das certificações, buscam destacar essa nova perspectiva para o acompanhamento ambiental de obras. A sustentabilidade envolve o bom senso, tanto em práticas construtivas quanto em práticas diárias do canteiro. E esses fatores são ainda mais relevantes quando falamos de certificações para edifícios sustentáveis, pois os processos devem ser cuidadosamente documentados ao longo de todas as fases da obra, visando a compilação final para validação do selo.
O PGIC deve ter estratégias para minimizar os impactos ambientais da implantação e operação do empreendimento, analisando os aspectos de qualidade do ar, água e do solo, além da fauna e flora, bem como ações de monitoramento e remediação desses impactos. O conteúdo mínimo é dividido em 3 capítulos abordando informações gerais, a proteção da biodiversidade e o controle da poluição como temáticas macro.
Essa estrutura consolida o levantamento de informações básicas do empreendimento como licenças ambientais, alvará de construção, layouts do canteiro, processos permitidos/proibidos e levantamento de condicionantes ambientais presentes no terreno, garantindo também a definição de escopos de treinamentos, responsabilidades e boas práticas que guiarão o acompanhamento.
O PGIC também prevê, em seu capítulo de proteção da biodiversidade, o acompanhamento de algumas estratégias específicas dentro do canteiro como instalação de medidas de proteção para indivíduos arbóreos relevantes, corpos hídricos e/ou APPs. Estratégias de proteção do solo manejado, mínima intervenção no perfil natural do terreno e manutenção da qualidade do lençol freático também são consideradas.
Aborda ainda medidas de controle para fontes de poluição aérea, como o telamento em locais de atividades de manipulação de materiais pulverulentos e operações de corte, bem como nas áreas de permanência dos colaboradores para proteção a saúde. Estratégias de mitigação para erosão, sedimentação e contaminação do solo e água também estão presentes no conteúdo do PGIC e devem ser rigorosamente implementadas e monitoradas no canteiro de obra e seu entorno.
Tendo esse conteúdo como diretriz, é essencial que o acompanhamento ambiental de obras certificadas seja feito de um modo integrado a todas as equipes de projeto e de execução no canteiro.
Para tal é essencial aplicar metodologias e entender suas possibilidades de aplicações em diferentes obras, fundamentando também o uso de ferramentas que podem melhorar a gestão dos dados necessários para o acompanhamento ambiental.
Uma dessas técnicas é o uso de ferramentas digitais para o gerenciamento de resíduos, facilitando seu controle e possibilitando a rastreabilidade desde a geração na obra até a destinação final.
Além disso, a utilização de softwares de Business Inteligence (BI) para a elaboração dos relatórios de acompanhamento, proporciona a geração de indicadores que podem ser utilizados para avaliação da qualidade, organização e sustentabilidade do canteiro de
obras.
Todas essas ferramentas auxiliam no processo de certificação e principalmente no envolvimento dos colaboradores quanto à importância da manutenção de um canteiro de obras sustentável. A dinamização desse acompanhamento torna mais palpável promover a sustentabilidade, organização e maior eficiência para todo o empreendimento.
Isto só é possível com um planejamento e acompanhamento adequados, por isso é essencial uma visão abrangente e atualizada que proporcione métricas para obtenção de resultados verdadeiramente mais sustentáveis.
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por Ideal Ambiental, empresa membro do GBC Brasil