A virada de chave do Facility Manager: como o conhecimento técnico e o ESG se tornaram pilares da gestão inteligente

Publicado em 26 . 02 . 2026

O futuro da gestão de ambientes corporativos já chegou e ele tem nome e propósito. A figura do Facility Manager, antes associada a uma função operacional, tornou-se protagonista de um novo paradigma empresarial: o da gestão inteligente, técnica e sustentável. Aquele profissional que cuidava de manutenções, contratos e rotinas de limpeza agora assume papel estratégico na criação de ambientes saudáveis, eficientes e alinhados às práticas ESG. A transformação começou de forma silenciosa, mas hoje é visível. Está nos dados, nas métricas, nos sensores e, sobretudo, no conhecimento técnico que guia decisões baseadas em ciência e conformidade.

Esse novo gestor de facilities compreende que cada metro quadrado do edifício corporativo é uma oportunidade de entregar valor ambiental, humano e econômico. Ele deixou de ser o executor das tarefas de bastidor para se tornar o elo entre engenharia, saúde ocupacional, meio ambiente e governança. Em vez de reagir a problemas, ele os antecipa. E, ao fazer isso, fortalece a cultura ESG como parte da própria operação. Como resume a gerente de Real Estate e Workplace Solutions da Lenovo Brasil, Marúsia Feitosa, “a gente não pode tomar decisão com base no feeling. Hoje, decidimos com base em dados.”

Essa transição foi acelerada pelo avanço das normas técnicas e pela crescente exigência de conformidade. A ABNT NBR 17037, que regula a qualidade do ar interior em ambientes climatizados, e referências nacionais como o Guia Abritac-Abit, além de internacionais como as normas ASHRAE e o guia CRI-204, tornaram-se instrumentos diários de trabalho para profissionais que desejam não apenas manter, mas aprimorar o desempenho ambiental de seus edifícios. Com isso, a educação continuada e o domínio técnico passaram a definir o perfil do gestor contemporâneo, alguém que entende, mede e comprova. Ana Machado, gestora de facilities da Shell Brasil, sintetiza essa virada cultural: “A gente não pode parar no número. É lendo o dado que conseguimos dar um passo além e enxergar como cada parâmetro impacta o ambiente.”

As práticas ESG deixaram de ser uma tendência para se tornarem uma realidade corporativa irreversível. A discussão sobre a qualidade do ar interior, que chegou inclusive à pauta da ONU (Organização das Nações Unidas), reforça que a sustentabilidade começa dentro dos prédios, no conforto térmico, na ventilação adequada, na higienização eficiente e no cuidado com quem ocupa o espaço. O Facility Manager tornou-se o guardião dessa integridade ambiental. É ele quem articula equipes multidisciplinares, conecta indicadores à estratégia e traduz normas técnicas em ações concretas.

Na Lenovo, por exemplo, essa postura técnica redefiniu processos. Ao adotar um programa anual de higienização de carpetes e superfícies têxteis, a empresa passou a integrar análises microbiológicas e métricas de eficiência no uso de recursos. Métodos como o de higienização a seco, aplicados por empresas como a MilliCare, alinhadas às práticas sustentáveis, videnciam como o conhecimento técnico se tornou um vetor de valor corporativo, não apenas de operação. A equipe de Marúsia passou a medir a condição real dos carpetes antes e depois da higienização. “Antes, fazíamos por rotina, sem saber se havia necessidade. Hoje, aplicamos análises científicas que comprovam a efetividade do método e orientam a frequência ideal de manutenção”, explica.

Essa mudança eliminou desperdícios e elevou o nível de conformidade,  uma prova de que o conhecimento técnico é o novo diferencial competitivo. Ao incorporar a mensuração de resultados e a redução de impactos ambientais,  como 96% menos consumo de água e 99% menos energia, a empresa superou o antigo modelo de higienização úmida, que exigia o uso intensivo de água e o funcionamento do ar-condicionado por até 48 horas para secagem dos carpetes. Essa mudança estratégica, a partir da adoção do método a seco, ressignificou as práticas ESG e possibilitou o avanço nas metas de Net Zero e nas políticas de sustentabilidade corporativa.

Além disso, a inteligência de dados levou essa gestão a outro patamar. O uso de sensores ambientais e plataformas de monitoramento em tempo real transformou a operação predial em um ecossistema preditivo. O sensoriamento da qualidade do ar interior (QAI), como o da plataforma MilliClick, reúne dados ambientais e operacionais para apoiar decisões de gestão, agora está sendo ampliado na Lenovo com a implementação de um sensor de passos por metro quadrado de carpete. Essa nova tecnologia complementa o monitoramento de QAI e permite identificar o nível real de uso de cada área, definindo com precisão quando uma superfície deve ser higienizada ou não, conforme dados coletados, parâmetros e guias técnicos.

Ao associar dados de qualidade do ar e fluxo de passos, a empresa passa a operar sob uma lógica preditiva, em que a higienização e o uso de recursos são orientados por comportamento e não apenas por calendário. “Foi através da plataforma de sensoriamento que eu aprendi o que é um TVOC, o que são materiais particulados e como cada parâmetro impacta o ambiente. Isso nos permite agir antes que um problema aconteça”, relata Marúsia.

A tecnologia também ampliou o alcance estratégico do gestor. Como lembra Ana Machado, o sensoriamento não serve apenas para controle ambiental, mas também para gestão humana. “Quando um colaborador alega ter adoecido dentro da empresa, os dados dos sensores são provas de que o ambiente se manteve saudável. É uma ferramenta poderosa para o RH e para a área de saúde ocupacional.” A leitura dos indicadores converte-se, assim, em argumento técnico e jurídico, fortalecendo a governança e o cuidado com as pessoas. Nesse contexto, plataformas como a MilliClick, que integram métricas de qualidade do ar, tornam-se aliadas do gestor moderno, não como ferramentas de venda, mas como tecnologias alinhadas ao propósito da eficiência e da sustentabilidade.

Ao lado da ciência e da tecnologia, surge uma nova consciência profissional. O Facility Manager de hoje é, acima de tudo, um cuidador de ecossistemas corporativos. Ele entende que o escritório não deve apenas abrigar pessoas, mas preservar sua saúde, estimular sua produtividade e reduzir impactos ambientais. É o que observou Michael Gottlieb, da MilliCare Los Angeles, durante visita técnica à Lenovo: “Vocês estão desafiando as convenções da manutenção tradicional, alinhando fornecedores e equipes em torno de um mesmo objetivo: ambientes mais limpos, saudáveis e produtivos.” Esse olhar colaborativo e integrado representa a essência da gestão inteligente, aquela que vê cada dado, cada métrica e cada decisão como parte de um sistema maior.

A virada de chave do Facility Manager é, portanto, mais do que uma evolução técnica é uma mudança de mentalidade. O conhecimento científico, as práticas ESG e o uso inteligente da tecnologia colocaram o gestor de facilities no centro das decisões corporativas. Hoje, ele é voz ativa na definição de políticas, na construção de metas ambientais e na criação de espaços saudáveis e sustentáveis.

Não há mais desculpas para uma gestão empírica. As ferramentas existem, as normas estão consolidadas e a educação técnica está disponível. A diferença está em quem decide utilizá-las com propósito. O profissional que lê os dados, interpreta a ciência e age de forma preditiva, ética e consciente é quem liderará o futuro da gestão corporativa. E talvez essa seja a maior lição desta nova era: cuidar do ambiente é, acima de tudo, cuidar de pessoas  com técnica e responsabilidade.

 

Por Millicare, empresa membro do GBC Brasil

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