Durante muito tempo, “hospedagem sustentável” soava como algo restrito a hotéis no meio da natureza, pousadas boutique ou grandes redes com orçamento para soluções complexas. Mas a conversa mudou. Hoje, sustentabilidade deixou de ser um adjetivo bonito e passou a funcionar como critério: para hóspedes, para plataformas, para operadores e, principalmente, para quem investe e mantém um imóvel rodando todos os dias.
Essa virada tem um motivo simples: meios de hospedagem são, por definição, espaços de uso intenso. A rotatividade é alta, o consumo é constante, a manutenção é recorrente e a experiência do usuário depende de dezenas de detalhes: temperatura, ruído, iluminação, ar, água, limpeza, materiais, ergonomia. Quando a operação é puxada, o que parecia “só ambiental” vira decisão prática de qualidade e custo.
E tem um ponto ainda mais relevante: sustentabilidade não é apenas reduzir impacto. É reduzir risco e aumentar previsibilidade. Isso vale para a conta de energia e água, mas também para desgaste do imóvel, reclamações, avaliações negativas e retrabalho de manutenção.
A palavra “sustentável” virou guarda-chuva. Por isso, vale traduzir para o que realmente conta no dia a dia de um Airbnb, hotel ou apart-hotel.
Hospedagem sustentável, na prática, é quando o espaço entrega eficiência (gasta menos para funcionar), saúde e bem-estar (é confortável e seguro para permanecer), e coerência operacional (o que foi projetado é fácil de manter). Não é sobre um item isolado. É sobre conjunto.
Quando isso acontece, aparecem ganhos claros:
As discussões globais sobre turismo vêm reforçando um ponto: sustentabilidade deixou de ser pauta paralela e passou a ser eixo de competitividade, gestão e política pública. Organizações como a OCDE têm tratado o tema como parte do desenvolvimento econômico e da qualidade de vida, justamente porque turismo e hospitalidade impactam infraestrutura, consumo de recursos e vida urbana.
Uma pesquisa global conduzida pela Booking.com com mais de 5.300 operadores em 18 países mostrou que 83% dos viajantes consideram importante viajar de forma mais sustentável, e 67% defendem que plataformas deveriam adotar certificações ou selos padronizados para facilitar a escolha de acomodações mais responsáveis.
Ao mesmo tempo, as próprias plataformas reconhecem lacunas. No caso do Airbnb, apesar de iniciativas como compensação de carbono e guias de boas práticas, ainda não existe um conjunto global, auditável e padronizado de critérios sustentáveis. Grande parte das informações depende de autodeclaração dos anfitriões, o que abre espaço para inconsistência e greenwashing.
Esse cenário explica por que certificações de terceira parte passaram a ganhar peso: elas oferecem método, métrica e verificação independente.
Para tornar isso concreto, vale trazer um exemplo aplicado que ajuda a tirar o tema do abstrato.
A StraubJunqueira foi a consultora da JCS Properties, proprietária de um studio destinado à hospedagem por temporada (Airbnb) em Pinheiros (São Paulo), compacto (24 m²) e pensado para operar de forma eficiente e confortável. Esse studio conquistou a certificação GBC Life, reforçando uma mensagem importante: sustentabilidade não é “privilégio” de projeto gigante. Ela cabe, literalmente, em pequena escala, quando as decisões são bem feitas.
O GBC Life é uma certificação do Green Building Council Brasil voltada para interiores e para a qualidade do ambiente construído, com foco em eficiência e bem-estar. Na prática, ela olha para aquilo que o usuário sente e vive: conforto, saúde, desempenho do espaço e escolhas mais responsáveis.
Ela também funciona como um ponto-chave de credibilidade: em vez de “eu digo que é sustentável”, você tem um processo estruturado, com critérios e verificação.
Nesse studio, o conceito de hospedagem sustentável aparece em decisões que fazem sentido para o uso real de um Airbnb: um espaço pequeno, com alta rotatividade, que precisa ser confortável em qualquer estação e fácil de operar.
Pelos materiais do próprio projeto, a proposta foi criar um ambiente com:
O valor aqui não é “mostrar o selo”. É mostrar a lógica: quando o espaço é pensado para o uso real, sustentabilidade vira rotina, e não um discurso pendurado na parede.
Porque no mundo real, quem hospeda vive três dores:
A certificação, quando usada do jeito certo, ajuda a organizar o pensamento: ela vira um “mapa” para decidir melhor, comprovar e manter padrão.
E aqui entra um ponto bem StraubJunqueira: certificação não é estética e não é moda. É método. É estratégia aplicada.
Se você está lendo isso pensando “ok, mas por onde eu começo?”, comece por aqui: