Gestora terá 78% do prédio que pertenciam à Tishman; fundo da Caixa mantém fatia de 22%
A Brookfield fechou a compra do Aqwa Corporate, prédio comercial que foi uma das âncoras da revitalização do Porto do Rio, em transação de R$ 385 milhões, apurou a coluna. Com o cheque, a gestora será dona de 78% do imóvel, que é ocupado por escritórios de companhias como Enel e Caixa. A operação aumenta a presença da Brookfield na região, onde já abocanhou 97% das unidades do futuro residencial do Edifício A Noite.
Quem está vendendo sua participação no imóvel é a Tishman Speyer, companhia americana que é dona de prédios icônicos mundo afora, como o Rockefeller Center, em Nova York. O fundo imobiliário Porto Maravilha, que pertence ao FGTS e é gerido pela Caixa, tem os outros 22% do Aqwa e não está vendendo sua parte.
Procuradas pela coluna, Brookfield e Tishman Speyer confirmaram a operação, mas não deram detalhes do negócio.
As conversas para a compra do Aqwa começaram ainda no início do ano passado e demoraram para se concluir justamente à espera de um aval da Caixa. Este ano, o banco deu o seu ok, e a transação foi selada na sexta-feira passada, segundo fontes que acompanharam o processo. O preço final veio abaixo da cifra de R$ 500 milhões que vinha sendo ventilada no ano passado.
A Brookfield está assumindo uma área de 60 mil metros quadrados, a um preço de R$ 6,4 mil por metro quadrado. Classificado na categoria de altíssimo padrão (Triple A) e com certificações como LEED Gold e Net Zero Emissions, o Aqwa tem ocupação na casa dos 70% — ou seja, a Brookfield tem espaço para aumentar a monetização do empreendimento. Como a coluna já havia contado no ano passado, o objetivo da gestora, segundo fontes do setor, é aproveitar um ativo com elevado potencial, mas valor descontado.
Inaugurado em 2017, o Aqwa Corporate está localizado no bairro de Santo Cristo, em frente à Cidade do Samba e ao lado da roda-gigante Rio Star. Ele foi o primeiro edifício brasileiro assinado por Norman Foster, vencedor do mais importante prêmio de arquitetura do mundo, o Pritzker.
O imóvel abriu as portas no auge da crise provocada pela Operação Lava Jato e, por isso, sofreu com elevada vacância por um longo período. Mas, ao longo do tempo, foi conseguindo atrair inquilinos como Caixa Econômica, Enel, Icatu, Ímpar e o escritório de advocacia Tauil & Chequer.
Embora tenha vendido parte do Aqwa, a Tishman não se desfez do terreno que possui ao lado do empreendimento. A área havia sido separada para a construção de uma segunda torre corporativa e de um hotel, mas a expansão acabou sendo engavetada devido à vacância ainda elevada das lajes corporativas da região do Porto Maravilha.
A Brookfield vem realizando transações imobiliárias importantes no Rio — e atuando nas duas pontas. Em 2024, vendeu sua fatia de 46% no shopping Rio Sul por R$ 1,1 bilhão e comprou 97% das unidades do futuro residencial do Edifício A Noite.
Dois anos antes, havia absorvido o histórico Edifício Manchete, na Glória, e o Ventura, torre de alto padrão na Avenida Chile, no Centro carioca, em uma transação que envolveu a aquisição de 12 prédios e dois terrenos da companhia BR Properties por R$ 5,9 bilhões.
No fim do ano passado, a gestora estreou no segmento de “multifamily” — imóveis para renda com aluguel — no Rio ao transformar o Edifício Glória, na Cinelândia, no Cena Carioca.
Já a Tishman vendeu, em 2018, um dos maiores edifícios comerciais da zona portuária ao Bradesco Seguros: a Port Corporate Tower, uma torre de 22 andares finalizada em novembro de 2014.
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por Rennan Setti, em O Globo