Acústica e qualidade do ar: como caminham juntas no conforto dos ambientes

Publicado em 16 . 12 . 2025

Quando falamos de condicionamento acústico, na maioria dos casos, o principal objetivo está associado à redução de tempo de reverberação por meio da inserção de materiais absorventes nas superfícies do ambiente. Geralmente, o teto costuma ser a principal área de intervenção e o forro ou revestimento proposto, além de atender às questões técnicas deve ser compatibilizado com o aspecto estético do projeto de interiores.

Alguns materiais acústicos podem apresentar outros benefícios ao ambiente além da absorção sonora. Por exemplo, existem produtos em gesso acartonado perfurado, com carvão ativo na composição do minério, que contribuem também com a redução de odores nos ambientes. Em ambientes mais herméticos, com renovação mecânica de ar, é interessante buscar a especificação de produtos que não emitam formaldeído ou composto orgânico volátil, para não comprometer a qualidade interna do ar. Em ambientes “limpos”, como clínicas e hospitais deve-se priorizar revestimentos higiênicos, que não acumulem partículas, sejam fáceis de limpar e que apresentem características antibactericidas e fungicidas.

Já quando abordamos isolamento acústico, as soluções costumam estar mais associadas aos sistemas construtivos e de vedação das edificações. Portanto, é comum, a princípio, a impressão que as propostas de isolamento sonoro e de ventilação natural para renovação do ar, em especial nos sistemas de fachadas das edificações, caminhem em sentidos opostos. Afinal, teoricamente, se o vento passa, junto com ele vem o ruído do meio externo.

Entretanto, existem diversas pesquisas associando a ventilação natural para a renovação da qualidade interna do ar com bons níveis de isolamento sonoro. No Brasil, já temos pesquisas publicadas que apontam o uso de elementos arquitetônicos de fachada, como o cobogó acústico e o peitoril ventilado, que conseguem alcançar bons níveis de isolamento sonoro ao tempo que permitem também a ventilação cruzada nos ambientes. Mais recentemente, durante o evento do InterNoise, principal congresso internacional de acústica, que ocorreu este ano em São Paulo, muito se abordou a respeito do design de metamateriais e do seu uso potencial nos caixilhos de esquadrias, permitindo troca de ar e conservando o bom desempenho acústico do sistema.

Em tempo, é importante sempre a reflexão de que as soluções de conforto ambiental não devem ser avaliadas de forma isolada. Conforto acústico, térmico, lumínico, visual e ergonômico andam lado a lado e demandam um olhar cada vez mais sensível do projetista para a qualidade de vida do usuário que vai habitar aquele espaço, visando o seu conforto psicofisiológico, sem, entretanto, abrir mão dos aspectos estéticos, funcionais e simbólicos da obra arquitetônica.

Alessandra Ribeiro, especialista técnica em Vidros de Alto Desempenho e Conforto Acústico

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