Na última quinta-feira (28), Brasília recebeu o seminário Pré-COP30: Contribuição do Setor da Construção para a NDC Brasileira, iniciativa conjunta do GBC Brasil com a Câmara Brasileira da Indústria da Construção e SindusCon-SP, com patrocínio da Saint-Gobain. O evento reuniu representantes do governo federal, instituições financeiras, especialistas e empresários para discutir como a construção civil pode ampliar sua contribuição para o enfrentamento da crise climática.
O tema não poderia ser mais oportuno. A poucos meses da realização da COP30, que acontecerá em Belém, a construção civil brasileira dá sinais claros de maturidade técnica e institucional para liderar uma transformação estrutural. O seminário demonstrou isso de forma inequívoca, com três eixos centrais: regulação, financiamento e casos concretos.
No primeiro painel, representantes do Ministério da Fazenda, do BNDES e da Caixa Econômica Federal apresentaram como critérios climáticos estão sendo incorporados às políticas públicas e instrumentos financeiros. A recém-lançada Taxonomia Sustentável Brasileira, destacada pelo Ministério da Fazenda, cria um novo marco regulatório ao definir critérios claros para identificar o que é, de fato, um investimento sustentável, incluindo a construção civil como setor estratégico. Já o BNDES mostrou como vem incorporando esses critérios em suas linhas de crédito, como o Fundo Clima, e em projetos de infraestrutura como hospitais, escolas e mobilidade urbana. A Caixa, por sua vez, destacou iniciativas voltadas à industrialização da construção e ao retrofit habitacional.
No segundo painel, mediado por Felipe Faria, CEO do GBC Brasil, o discurso deu lugar à prática. Foram apresentados projetos que traduzem em resultados concretos aquilo que já sabemos: sustentabilidade é viável, mensurável e escalável.
O Hospital Erastinho, em Curitiba, é um exemplo. Primeiro hospital oncopediátrico do sul do Brasil, certificado LEED e WELL, foi reconhecido entre as 100 construções mais sustentáveis do mundo pelo G20. Mais do que sustentável, é um projeto restaurativo, que melhora o entorno urbano e o bem-estar de pacientes e equipes.
Outro destaque foi o projeto Comunidade do Aço, no Rio de Janeiro, que alia habitação digna, energia solar, eficiência hídrica e mobilidade ativa para cerca de 8 mil pessoas. Um exemplo de como a sustentabilidade pode, e deve, ser instrumento de reparação histórica e inclusão.
Fechando o painel, cases de obras carbono zero, já validadas por auditorias internacionais, reforçaram o papel da engenharia nacional na transição para uma economia de baixo carbono. A fala de Ricardo Cansian, da RAC Engenharia, foi direta: “Sustentabilidade é a porta de entrada para a inovação”. E essa inovação já está acontecendo com simulações termoenergéticas, análises de ciclo de vida e sistemas construtivos industrializados que reduzem prazos, custos operacionais e emissões.
Durante o evento, o presidente da COP30, André Corrêa do Lago, foi enfático: o Brasil tem soluções em construção sustentável mais úteis e replicáveis do que muitos países desenvolvidos. A frase carrega peso e responsabilidade. O mundo está olhando para o Brasil, não apenas como um país biodiverso, mas como um país que sabe construir melhor.
A mensagem é clara: as construções sustentáveis brasileiras deixaram de ser exceção e viraram referência. O desafio agora é de escala. E essa escala virá da convergência entre bons projetos, políticas públicas ambiciosas, instrumentos financeiros bem calibrados e uma cadeia produtiva cada vez mais preparada para entregar eficiência, conforto, saúde e baixo carbono.
A COP30 será, sim, um palco. Mas o que precisa brilhar são os exemplos reais. E eles já estão entre nós.
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por Enzo Tessitore, GBC Brasil