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Os Desafios da Certificação WELL

Publicado em 12 . 07 . 2019

Desde seu surgimento, no final de 2014, a ideia de buscar a certificação WELL Building Standard estavam nas metas da BR Properties. O objetivo sempre foi entender como os conceitos da certificação poderiam ser encaixados em seu modelo de negócios a fim de trazer maiores benefícios para seus clientes, majoritariamente composto de grandes empresas brasileiras e multinacionais. Dessa forma, foi decidido por fazer um projeto piloto antes de permear as dimensões que tratam a certificação para seus edifícios corporativos.

O projeto escolhido para iniciar o estudo e conceituação da certificação foi a própria sede da BR Properties, cujo espaço se situa no 18º andar da Torre Nações Unidas, possui área de 1.200m2 e 60 ocupantes. Além de administrar o TNU, o edifício faz parte dos empreendimentos do qual é proprietária. Como ponto de partida, optou-se pelo nível Silver da certificação WELL e elevar para o nível Gold em 2021, no processo de recertificação. Assim, a BR Properties poderia analisar o real impacto da certificação na produtividade e satisfação de seus colaboradores e entender quais das sete dimensões fariam mais sentido e seriam mais pertinentes para os ocupantes do espaço.

Para atender ao objetivo traçado foi consultada a StraubJunqueira, consultoria especializada na certificação WELL e responsável por liderar todo o processo, que consiste no registro do projeto junto ao IWBI, implementação das estratégias e submissão da documentação e auditoria. O processo do WELL se assemelha muito ao do LEED com a única diferença que o WELL exige uma auditoria presencial. Nessa fase, um auditor do GBCI é enviado para realizar a coleta de amostras da qualidade do ar e água e encaminhar para laboratórios credenciados pelo órgão. Além disso, o auditor averigua os níveis de conforto lumínico, acústico e térmico e verifica as estratégias implementadas do espaço e já auditadas na fase documental.

O grande desafio inicial foi a adequação do espaço frente a algumas estratégias como a obrigatoriedade da instalação de filtros de ar MERV 13 (F7) na tomada de ar externo do sistema de HVAC e no ajuste da iluminação para atendimento da iluminação circadiana em todos os postos de trabalho. Outro ponto relevante, foi a a adequação do processo de terceiros, contratados para a manutenção do escritório como foi o caso da empresa de limpeza que já atendia aos requerimentos da certificação por ter o selo Rótulo Ecológico da ABNT.

Outro desafio superado pela equipe de manutenção da BR Properties, foi atender ao requerimento do WELL para a pré-condição “Hand Washing”, que trata da higiene ao se lavar as mãos. Um dos requisitos dessa pré-condição é em manter a coluna da água das torneiras, ou seja, a altura da saída da água da torneira até atingir o fundo da cuba, em 25cm a fim de evitar possíveis respingos de água e contaminação do ambiente e do próprio usuário. Foi realizada uma medição em todos os sanitários e copa do espaço e constatado que a altura da coluna da água girava em torno de 20cm. Seria insustentável, do ponto de vista das esferas ambiental e econômica, a substituição das torneiras por outros modelos de bica alta. Dessa forma, optou-se por mandar fazer e instalar uma base metálica seguindo as características das torneiras para interferir o mínimo possível no seu design e ao mesmo tempo atender aos requerimentos da certificação.

Um fato curioso, ainda dentro da pré-condição “Hand Washing” foi a proibição do uso de sabonetes antibacterianos e com fragrância. Na composição desses sabonetes existem substâncias comprovadamente cancerígenas, como o Triclosan. Tanto que durante a fase de implementação das estratégias da certificação no escritório, a FDA, agência americana responsável pela segurança da saúde pública nos EUA, baniu os sabonetes antibacterianos do país, corroborando com o conceito do WELL.

Contudo, o maior desafio enfrentado por toda a equipe foi a adequação do contaminante Trialometano – THM na qualidade da água. O THM é uma substância cancerígena proveniente do subproduto do Cloro, que age como desinfetante na água, com a matéria orgânica. A exigência dos parâmetros analisados na certificação WELL tanto para a qualidade do ar quanto para a qualidade da água seguem os limites máximos estabelecidos pela OMS – Organização Mundial da Saúde, dessa forma, não é incomum encontrar parâmetros com limites mais rigorosos estabelecidos pela certificação em comparação com a legislação brasileira. Tanto que a água entregue pela SABESP, medida no ponto de entrada do condomínio, continha 0,1mg/L de THM, exatamente o limite máximo estabelecido pela Portaria de consolidação n°5 do Ministério da Saúde. No entanto, como o condomínio precisa assegurar que a água fornecida contenha um teor mínimo de cloro residual livre de 0,5 mg/L, conforme recomendação da mesma portaria, o nível de THM no escritório da BR Properties se mostrou superior ao limite estabelecido tanto pelo WELL, que exige o THM ≤ 0,08mg/L, quanto pela legislação brasileira. A solução adotada nesse caso, e que beneficiou não só o escritório da BR Properties, mas todo o condomínio, foi a instalação de um filtro de carvão ativado no ramal de descida da água potável da edificação.

Por fim, todos as pré-condições foram atendidas e a sede da BR Properties recebeu a certificação WELLv1 Silver, concedida pelo IWBI. No entanto, sabe-se que essa é a primeira etapa conquistada. A próxima etapa virá com a recertificação do espaço, com uma compreensão mais aprofundada da relação dos conceitos e dimensões da certificação com indicadores de saúde, satisfação, engajamento e produtividade, além de levar o conhecimento adquirido para todos os empreendimentos e clientes da BR Properties.

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